Resgatado do blogue Spastikos (fechado em Blogaliza)

Há raras excepções e até podem ser toleradas nas margens onde a discussom racional parece ser uma forma de loucura incompreensível tam longe fica do que se lhe parafusa a cada um dia após dia polo sistema propagandístico.

Noam Chomsky


MANIFESTO INFESTO PRIMEIRO: Da aboliçom da classe trabalhadora.

Vamos escrever um outro manifesto escarlate que nom interesse a ninguém.

O tabu sexual. Há quem aluga o seu corpo durante um certo tempo ao dia. Isto é vexatório para a dignidade humana, lapidaçom!, ouvea o neopuritanismo. Há também, estes som os mais, quem aluga a sua vida completa. Toda. Por um salário. Nada há mais indigno.

Falaremos, já que logo, da grande puta: a classe trabalhadora. A massa desumana que ateiga o planeta. Os eivados. Reparade, por favor, na sua fisionomia. Patética. Que é o que fazem com os seus corpos (além de apodrecer de jeito exasperantemente lento)? É um nojo. Escolhamos um qualquer. Que é o que sabe de si próprio? Investigou-se? Explorou-se? Experimentou-se? Que sabe do mundo derredor? Dos outros seres vivos. Dos seus. Investigou-nos? Explorou-nos? Experimentou-nos? É pior do que um eivado, ao cabo um eivado pode ser humano, é um autómato. Um autómato vivo amestrado desde o berce. Amestrado no medo e nas destrezas requeridas para desenvolver o seu papel de escravo moderno nas pequenas farsas quotidianas. Dous eixos de actividade unicamente: trabalho e consumo. Incapaz para mais nada. A classe trabalhadora só pode ser reaccionária, porque é desumana –nom abondam os genes, nom se nasce apreendido. Nada deve a liberdade –o demo mais temido– aguardar dela.

As concepções mais valiosas da humanidade nom agromaram nas inframentes atrofiadas daqueles que chegavam baldados ao lar ao cabo da jornada ou, ainda pior, daquelas que nom saíram dele. Nem dos agrilhoados por mitos de eficácia e de competitividade. Nom senhor. Platom nom cobrava um peso. Isaac Newton era aristocrata. Carlos Marx foi um mantido –como os grandes artistas. O ser humano livre apreende que a actividade forma parte de si próprio, vê-se reflectido nela, construi-o, presta-lhe, ama-a. Apenas o escravo é que trabalha para viver. Que as máquinas ganhem o pam com o suor da sua frente. A única vitória conceptível da classe trabalhadora é a extinçom. Deixem passo aos seres humanos.



Na Galiza. Panegírico abraiado na morte de Eugenio F. Granell.

Deu germolado um ser humano. Deu germolado um ser humano livre.

Finou.

Ficamos orfos.


apenas duas cousas é que som importantes. o amor em todas as suas formas com raparigas bonitas e a música do Duke Ellington. o resto devia desaparecer pois o resto é feio

Boris Vian