O Empoleirado

Andava eu o outro dia a dar um passeio ali pola banda de Porto de Mouros quando, assim de repente, encontro Alberto Núñez Feijóo empoleirado no poste dum valado. Se não fico pampo, pensei para mim.

Quis me achegar para saudá-lo, mas o poste em questão estava fortemente custodiado por agentes anti-distúrbios que me perguntaram se tinha um convite. Convite não tinha. Assim que, com o lombo bem quentinho por ter tido a ousadia de me dirigir à autoridade em dialeto vernáculo, afastei-me do lugar dirigindo os meus passos na direção dum velhinho que observava, incólume, a cena apostado baixo a esquálida sombra dum eucalipto.

Que faz esse ai? Perguntei.

Fazer? Ai não che sei meu filho. Respondeu o velho com cético aceno que ameaçava laconismo. Diz-que, prosseguiu esconjurando a ameaça, leva ai por volta de três anos e meio…

– Incrédulo, perguntei quase para mim próprio, e que caralho fez três anos e meio empoleirado num poste?

E que havia fazer? Nada. Mas desfazer, desfez quanto pôde. Sei que ele o que queria era ir para Madrid e disseram-lhe que para aló chegar tinha antes que passar oito anos subido nesse poste.

A modo ho… e logo, como subiu?

Subir, não creio que subira, mais bem subiram-no.

Quem?

A mim que me registem, que eu não fui.

Quem foi logo?

E quem havia ser? Os “gallegos”…

Ah… Mas, por que?

Isso eu não cho sei. O único que sei é que ele ai não pinta nadinha e que nada pode fazer acima desse poste. Assim que o único que podemos fazer nós por ele é ajudá-lo a baixar…  se nos deixam os “gallegos”…

E logo, por que não nos haviam deixar…?

Bem não rematara de formular a minha pergunta, já o velho se erguia sem muita dificuldade do seu posto de observação e começava a avançar parcimonioso apoiado num cajato de toxo.

– Bom, é-me muito hora que tenho que botar de comer aos animais. Outro dia continuamos a conversa. Fique bem.