Sermos ou não sermos

Sermos ou não sermos, is that the question? Não. Já somos. Todos somos. Feijóo, Rey Fernández-Latorre e a sua ovina paróquia também são. A questão é sermos o quê? Alguns acham que sermos Galiza é a resposta adequada a esta pergunta. Depende. Como toque diferencialista está bem. Eles são Galicia e nós somos Galiza. Já estamos divididos. Agora bem, é este realmente o projeto comunicativo que Galiza/Galicia necessita? Meios para fidelizar a paróquia e para convencer convencidos? Duas comunidades impermeáveis, a de La Roja, a caspa e a salsa rosa; e a das manifestações, o catecismo da esquerda e o martirológio nacionalista?

Fica claro que o BNG anda a precisar duma outra folha paroquial desde que mal-vendera A Nosa Terra ao tijolo.  Por mim, quando menos, sei dizer que o meio de comunicação que eu quero não se chama Sermos Galiza. Como também não se chama A Nosa Terra, nem Novas da Galiza, nem Diário Liberdade, nem Galiza Livre, nem  Mundo Galiza, e muito menos ainda Galiza Nación. Com isto não quero restar méritos a cada um desses projetos, os quais imagino que cumprem ou cumpriam a função para a qual foram criados. Particularmente interessante e corajoso entre todos eles estimo ser o Novas da Galiza, para além do seu marcado viés ideológico. Mas eu, preferir, preferiria um Xornal, sem as suas servidões económico-políticas e as suas auto-censuras; ou um Galicia Confidencial se for quem de ultrapassar os personalismos; ou até um Tempos Novos, tornado diário.

No económico, o modelo a seguir é o modelo comunitário do Gara, pois é o único que garante verdadeira independência informativa. No editorial, não avonda informar do que outros não informam, embora seja muito necessário. Cumpre criar um meio que ponha no centro do debate as questões realmente importantes (para a cidadania, não apenas para o nacionalismo revolucionário/institucional) e que seja ponto de confluência para qualquer contributo racional sem excluir ninguém. Sem reservas, como na camisola do índio reintegrante que tanta graça lhe fazia ao Ferrín.