Galiza apartheid (IV): Indignez-vous!

Galiza apartheid (IV): Indignez-vous!

Quatro rapazes novos falam arredor duma mesa numa cêntrica praça viguesa. Dous estão sentados e dous de pé.

Indignado1: Oye, ¿y qué opinas de Fulanito?
Indignado2: No sé, no sé. A mi me da que es un infiltrado.
Indignado3: Hombre, no hay más que oirlo hablar… pero si sólo habla gallego…
Indignado4: Sí, está claro, no hay que perderlo de vista, yo creo que es un infiltrado.

A mesa é o ponto de informação cidadã da acampada dos indignados do 15-M na cidade olívea. A conversa, sem pretender ser literal, é conceptualmente verídica. A pessoa que me contou esta anedota estava a se achegar à acampada dos indignados, com a mente aberta e o coração sincero, para lhes achegar a sua solidariedade. Esta pessoa não tem nem nunca teve militância política sem sindical, mas fala galego. Após escutar a conversa acima relatada virou em redondo e marchou para a casa sem dizer nada. Indignada.

Se calhar fez mal. Se calhar era melhor ter ficado lá para lutar contra os preconceitos. Se calhar. Porém, ninguém gosta de estar baixo suspeita simplesmente pela cor da sua pele ou pela língua que fala. Aliás, o alvo deste artigo não é julgar ninguém. Nem a minha amiga, nem os quatro indignados, nem o movimento do 15-M. O contexto no que desenvolveu esta conversa poderia ter sido inteiramente distinto.

O interessante disto é o preconceito em si próprio. Uma pessoa nova, culta e galego-falante num ambiente urbano só pode ser um nacionalista. Se for velha e/ou inculta e/ou pobre seria um pailão da aldeia. Eis os dous estigmas que padecem os galego-falantes na Galiza. Não há opção. Falar galego nunca pode ser neutro. Apenas falar castelhano é que é neutro. Depois ainda há quem diz que melhorou o prestígio social da língua a respeito do franquismo. Mudou. Abofé. Antes existia um único estigma (o socioeconómico) e agora temos dous (o socioeconómico e o político-ideológico).