The Rebel (Pádraig Mac Piarais) na voz de Ránall Ó Draoi com legendas em galego-português

Poema The Rebel (O Rebelde) de Pádraig Mac Piarais (Patrick Pearse) na voz de Ránall Ó Draoi (Ronnie Drew) com legendas em galego-português. Como curiosidade, semelha que Ó Draoi come um verso contra a metade do poema.

A melodia de fundo é Não Te Namores Meninha, um tema tradicional galego interpretado polos Chieftains.

Disponível em Vimeo, Blip e YouTube.

POEMA:

sou da semente do povo
o povo que pena
que não tem outro tesouro que a esperança
nem riquezas acoguladas, não sendo a memória duma glória pretérita
a minha mãe pariu-me em cativeiro, em cativeiro a minha mãe foi nascida
sou do sangue dos servos
as crianças com quem eu brinquei, os homens e mulheres com quem tenho partilhado mesa
curvaram-se sob o peso dos senhores e sofreram o seu látego
e, embora gentis, serviram aos medíocres
as mãos que tocaram as minhas
essas mãos amadas cujo tacto é-me familiar
levaram infames grilhões, foram os pulsos travados por grilhões
curtiram-se com grilhões e trabalho servil por conta-alheia
sou carne da carne desses humildes, e osso do seu osso
eu, que nunca fui submetido
eu, que tenho uma alma mais grande do que as almas dos amos do meu povo
eu, que tenho entendimento e profecia, e o dom da eloquente oratória
eu, que tenho falado com os deuses no cume do outeiro sagrado
e, porque sou do povo, entendo as pessoas
estou triste com a sua tristura, estou com fome com o seu desejo
o meu coração está pesaroso com a dor das mães
os meus olhos choraram com as bágoas das crianças
tive morrinha com os velhos saudosos
e ri e jurei com os moços
a sua vergonha é a minha vergonha, e tenho corado por causa dela
corado polo que têm servido, eles que deveram ser livres
corado polas suas privações, enquanto outros iam de bandulho cheio
corado porque eles andaram com medo de advogados e dos seus carcereiros
com as suas intimações judiciais e as suas algemas
homens ruins e cruéis
antes preferiria levar umas lostregadas no lombo
do que suportar esta vexame do meu povo
e assim falo agora, pleno de entendimento:
falo para o meu povo, e falo no nome do meu povo
para os amos do meu povo:
eu digo ao meu povo que eles são bentos
que eles são augustos, apesar dos seus grilhões
que eles são mais grandes do que aqueles que os junguem
e mais fortes e mais puros
que eles precisam ainda de coragem, e invocar o nome do seu deus
deus o que não esquece, deus o bem-amado que ama a gente
pola que morreu, nu, sofrendo o opróbrio
e digo aos amos do meu povo: cuidado
cuidado com o que está por chegar, cuidado com o povo ergueito
que deverá tomar aquilo que não quereis dar
julgastes ter conquistado o povo, ou que a lei é mais forte que a vida
e o desejo dos homens de serem livres?
imos prová-lo com vós, vós, que saqueastes e segurastes
vós, que intimidastes e subornastes
tiranos… hipócritas… mentireiros!