Requiem pola internet galega

Requiem pola internet galega

Los amores cobardes no llegan a amores,
ni a historias,
se quedan allí.
Ni el recuerdo los puede salvar,
ni el mejor orador conjugar.

Silvio Rodríguez (Óleo de una Mujer con Sombrero)

O portal informativo Vieiros e a rede social Chuza vêm de fechar as suas portas. Com eles morrem dous dos canais de comunicação mais importantes do galeguismo, já que eles constituíam dous dos nodos mais importantes duma verdadeira rede de comunicação galaica. Fim dum ciclo ou começo da fim? Oportunidade de renascimento ou sintoma definitivo de decadência? Difícil saber. Mas já Epicuro deixara dito que o futuro nem é de tudo nosso nem de tudo não-nosso.

Com Vieiros nascera a internet galega, há agora 15 anos. Na altura acho que havia uma enorme avidez galeguista por criar canais de comunicação virtuais. Avidez que se correspondia com o expectante entusiasmo que os projectos galeguistas espertavam numa parte significativa da sociedade. De facto, a comunidade internauta galeguista logo conheceu períodos de enorme hiperactividade que fizeram com que a nossa pegada virtual no mundo chegara ser “desproporcionada” em relação ao nosso peso demográfico relativo.

Para alguns, era claro que essa avidez inicial não podia durar sempre. Estaríamos já que logo perante a fim dum ciclo. Porém, o facto de Vieiros e Chuza morrerem sem substitutos claros é também um claro sintoma de fracasso colectivo. Fracasso que infelizmente não se circunscreve à internet, pois a perda de entusiasmo no projecto do galeguismo maioritário representado polo BNG também não está a ser acompanhado pola emergência de novas alternativas esperançadoras.

À margem de problemas pontuais de gestão, de certas irregularidades ou de circunstâncias pessoais dos principais catalisadores dos devanditos projectos, fica claro que existe um problema de fundo que impede ao galeguismo consolidar no tempo projectos comunicativos sólidos. O problema ao meu ver é a falta absoluta de autoconfiança. Os galeguistas, como os galegos, não ousamos investir no futuro porque não temos confiança em que o nosso investimento e o nosso esforço vai ser eficaz e dar rendimentos.

Assim sendo, os projectos galeguistas dependem sempre principalmente do voluntarismo e das subvenções. Na conjuntura actual, de entusiasmo minguado e subvenções amputadas polo sectarismo espanholista do PP, corremos o risco de que anos de esforço e de trabalho fiquem em água de castanhas.

Num entorno hostil e desesperançado o que queremos os galegos é ser funcionários.

Esta falta de auto-confiança paralisadora do investimento vê-se ainda agravada por um sectarismo atávico que impede alguns de suster um projecto sobre o qual não tenham o controlo absoluto. Assim, se o nacionalismo institucional (UPG) não foi quem de salvar o seu próprio “chiringuito” (GZNación) muito menos havia mover um dedo por projectos mais ou menos independentes.

Esse mesmo sectarismo é o que está a empecer o nascimento de uma alternativa séria. Assim, o último chamamento à “unidade” da FPG exclui a priori dessa “unidade” bloqueiros e reintegratas. Assim não há muito a fazer.

O galeguismo, em troques de abrir-se à sociedade, com os riscos que isso implica, preferiu manter uma estratégia de guetificação se calhar herdada da clandestinidade. Mas sem confiança em nós próprios nunca havemos construir projectos ambiciosos e duráveis e sem confiança no outrem nunca havemos construir uma nação. Quem não tem confiança, não arrisca, quem não arrisca, não investe, e quem não investe não pode ganhar. Ponto.

Neste panorama desolado, ficam apenas, como já vaticináramos há anos, os reintegracionistas. Portal Galego da Língua, Diário Liberdade, Sei o que nos figestes nos últimos 500 anos,… Acostumado a se valer por si próprio, o reintegracionismo não espera polas instituições e está a construir de vagarinho sólidas redes internacionais onde a língua galega vai achar o último refúgio. E isto que está a acontecer no universo virtual, acontecerá também no mundo “real” antes do que muitos esperam. E se não, ao tempo…