Liçoẽs de gastronomia galega

Liçoẽs de gastronomia galega

RECEITA I: O pior dos decretos possíveis


Ingredientes:

1) Um José María Aznar
2) Um feixe de caverna madrilena
3) Uma pisca de Galicia Bilingüe (y olé)
4) Um palerma qualquer da universidade com mais ambições do que
talento/personalidade
5) Um candidato do PP do Opus que talvez precise do voto franquista
para ganhar as eleições
6) Duas ou três sucursais provinciais da caverna madrilena (tipo Club
Financiero de Vigo ou, a falta doutra cousa, panfletos tipo La Voz de
Galicia ou Faro de Vigo podem servir perfeitamente)

Tempo de preparação:
4-6 anos

Procedimento:

Colhemos o José María Aznar e, sem rasurar-lhe o mostacho, damos-lhe
uma maioria absoluta para que vaia colocando nos postos mais altos do
Partido Popular os seus amigotes franquistas e outros mafiosos. Ao
mesmo tempo, vamos financiando a caverna madrilena e criamos todo tipo
de fundações e meios de comunicações afins que servam os nossos
interesses para controlar o partido e, se for possível, EjpaÑa
inteira. Mandamos Fraga dormir ao Senado e, numa frigideira mais
pequena, aparte, decapitamos Cuínha, Cacharro, Palmou e outros e
jogamo-los no lixo (preferentemente também Baltar, ainda que, cuidado,
esse é um osso especialmente duro de roer). Ao tempo que vamos
reduzindo essa zaragalhada, apanhamos uns porros, o mais do Opus que
pudermos encontrar, e vamos fazendo um caldo de Feijoo. Os porros do
Opus, como é sabido, vão-lhe dar ao caldo esse toque râncido tão
genuinamente Espanhol. Duma costela direita de Santa Teresa de Jesús,
criamos Galicia Bilingue, que financiamos bem financiadinha para
temperar o caldo. Toda vez chegado o caldo ao ponto de “Xunta”
(ajudando-nos dos panfletos provinciais), recrutamos um parlerma
universitário do PSOE com mais ambições políticas do que luzes. O
ponto justo na elaboraço dum decreto etnocida, sempre desde o mais
escrupuloso rigor acadêmico, não se pode explicar numa receita. É uma
arte. Cumprem séculos de experiência para achar esse ponto, esse
equilibrio, extacto. É um jogo de malabares. Por uma parte cumpre
deixar patente a supremacia e necesidade do castelhano e a
inferioridade e contingência do galego, mas sem aniquilar directamente
este último. O galego deve-se deixar reduzir a lume lento, sempre
ficando claro que é a sua extinção deve-se ao libérrimo alvedrio dos
pais e nunca a um programa político gestado desde há séculos no mais
lúgubre da caverna madrilena (e sucursais provinciais). O inglês é
moderno, funcional, liberal e ajuda a modular o sabor rançoso que
sempre tem o caldo de Feijão com porros do Opus. A ligação deste prebe
tudo por vezes semelha impossível, dependendo da textura do
professorado. Não desesperem, é apenas questão de tempo. Mas, lembrem,
sempre tudo muito técnico, acadêmico, sem “política”.