Paulo Bragança – Sou galego

Paulo Bragança – Sou galego

 

 

Das terras da Rosalia às terras de Miguel Torga
percorre o ar a cantiga que todo o povo recorda,
das Beiras a Trás-os-Montes, dos rios Mondego ao Minho
o perfume da Galiza, de giesta e flor de pinho.

Mil anos do mesmo sangue num passado sem fronteiras,
o fumo das chaminés nas memórias das aldeias;
gaita de foles Galega, Adufeiras da Idanha.
Cantamos em Mirandês, lingua que não nos é estranha.

Sou Galego, ai, sou Galego,
sou Galego até ao Mondego,
moiro escuro t’arrenego
da Galiza até ao Mondego.

Vindimamos o suor por tradição e castigo;
são irmãs no seu destino, rias de Aveiro e de Vigo.
E há tanto calor humano ao redor de uma fogueira,
à lareira vinho tinto, requeijão, broa caseira.

E a guitarra de Coimbra, gaita de foles Galega
são os sons da nossa alma aos quais o Norte se apega;
caminhos de Santiago, trilhos, veredas, clareiras,
cantamos ao desafio ao fim da tarde nas eiras.

Sou Galego, ai, sou Galego,
sou Galego até ao Mondego,
moiro escuro t’arrenego
da Galiza até ao Mondego.

Sou Galego, ai, sou Galego,
sou Galego até ao Mondego,
moiro escuro t’arrenego
da Galiza até ao Mondego.