Apocalipse zumbi

Apocalipse zumbi

Há já bastantes anos assisti na Faculdade de História da USC a uma palestra dum professor brasileiro cujo nome infeliz e imperdoavelmente não lembro. Foi aquela uma palestra extremamente interessante onde o professor falou de muita cousa. Desde ALCOA em São Cibrão e ENCE em Ponte-Vedra até a floresta amazónica, passando polo filme Titanic.

É precisamente do filme do que vou falar agora. Na altura, houve pessoas que foram ver o filme repetidas vezes. Como crianças, explicou o professor, as quais, inconscientemente, quando não entendem um conto querem que lho repitamos uma e outra vez, sempre relatado de maneira idêntica, para ver se numa destas são quem de decifrar o significado oculto da estória. O Titanic seria, sempre segundo a interpretação dele, uma alegoria da nossa civilização.

Agora estão muito na moda os filmes e as séries de televisão apocalípticas, nomeadamente aquelas de zumbis. Numa das séries de maior sucesso de audiência, uma epidemia converteu em zumbis quase todos os seres humanos no planeta (ou, o que é o mesmo, nos EUA) e, os poucos ainda realmente vivos, tentam criar comunidades seguras onde resistir, armados até os dentes, o assédio dos mortos viventes.

Lembro-me do professor brasileiro e do Titanic e pergunto-me se haverá alguma razão misteriosa pola qual este tipo de temáticas fascinam a audiência precisamente agora, ou se será simplesmente cousa do marketing da indústria do entretenimento.

Terá algo a ver com a psicose de crise, a qual teria induzido no subconsciente colectivo o medo ao colapso do sistema? Serão essas legiões de zumbis os deserdados urbanos que vagam sem rumo na procura de alguma cousa que levar à boca (e que os poucos que ainda têm devem proteger fuzil em mão)?

About these ads